64% de gestores entrevistados consideraram que não houve repasse de verbas para o cumprimento do prazo de tratamento
Além do prazo não cumprido, o País não cumpre
lei que determina que todos os casos de câncer sejam registrados. Em
2014, há registro de apenas 1% dos pacientes estimados para 2014
Segundo dados de uma pesquisa da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), 64% dos gestores estaduais de saúde, hospitais e centros de tratamento do SUS em todas as regiões do Brasil admitiram que a Lei dos 60 dias não é cumprida com rigor por falta de repasse de verbas.
A mastologista e presidente voluntária da Femama, Maira Caleffi, explica que, antes da aprovação da lei, a entidade reivindicava um prazo ainda menor, de 30 dias. "Em alguns tipos de câncer, como leucemias e câncer infantil, 60 dias significam a morte, é muito tempo", diz ela.
Cenário: 'O Brasil está às vésperas de uma epidemia de câncer'
Mas nem os dois meses são respeitados. Dados do Sistema de Informação sobre o Câncer (SISCAN) até julho de 2014, mostram que 40% dos pacientes registrados no sistema não haviam sido tratados dentro do de 60 dias. O atraso no início do tratamento, evidentemente, reflete na mortalidade pelo câncer.
E mesmo esse porcentual de 40% pode estar subnotifcado, uma vez que correspondem a apenas pouco mais de sete mil dos 576 mil novos casos de câncer previstos para 2014. Apesar de a lei prever que todo diagnóstico de câncer seja registrado, isso não acontece.
Especialista: O maior desafio é tratarmos é tratarmos os cânceres comuns
"É muito pouca gente para dizer que a Lei dos 60 dias está funcionando em 60% dos pacientes. Esses dados não denunciam que o sistema não está funcionando e que a lei não está sendo cumprida", explica a médica.
Nenhum comentário:
Postar um comentário